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Carnaval com Palavra Cantada

Nosso domingo de feriado quase virou um domingo de carnaval. Fomos a um verdadeiro baile de salão. Acho que essa é a melhor expressão para você entender direitinho o que vivemos ontem no show do Palavra Cantada no HSBC Brasil. Confete, serpentina, crianças fantasiadas, SÓ música boa, em boas companhias. Foi um daqueles dias que passamos meses relembrando. Hoje, cheguei em casa depois do trabalho, cantarolando uma das músicas que a dupla Sandra Peres e Paulo Tatit cantou no show e dou de cara com eles de novo. Dessa vez, estavam em cima da minha mesa, na edição de janeiro da Revista Brasil – Almanaque de cultura popular. Como não acredito em coincidências, achei que era um sinal. E dessa vez não deixei passar. Resolvi postar aqui a minha admiração por talentos que, como eles, se renderam ao universo lúdico. Quem não conhece Palavra Cantada tem que conhecer. É música para dançar e lavar a alma, não é, Luana?

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Li a entrevista todinha na revista e compartilho com vocês os melhores trechos. Vale a pena ler até o final.

O que levou vocês a fazer música para crianças?

Sandra: Nós já trabalhávamos há alguns anos juntos. Quando fizemos um tema infantil para a TV Cultura, gostamos do experimentalismo que fazer música para criança oferece, de poder tentar coisas novas e que não são da moda. E fomos adiante.

Quando vocês cantam canções tradicionais, não se preocupam em adaptá-las ao politicamente correto?
Sandra: De jeito nenhum. Mas, na verdade, não faz muita diferença: “Atirei o pau no gato” ou “Não atire o pau no gato”, dá na mesma na cabeça da criança. Olha outro exemplo: Sambalelê tá doente / Tá com a cabeça quebrada / O que Lelê precisava / É de umas boas palmadas. Na música, a criança só percebe o Lelê.

Quando vocês compõem, pensam em educar ou agradar?

Sandra: Uma coisa importante é discernir: nós não somos educadores. Nós acreditamos e percebemos que quem quer educar com música só faz música chata. A gente encontra uma maneira lúdica, inspiradora e brincalhona para transmitir conhecimento, o que, no fundo, no fundo, é ensinar.

Paulo: Não temos a intenção de ensinar uma coisa objetiva. Mas eu gosto, por exemplo, de tocar uma música que tenha um ritmo de congada e, apesar de eu não estar falando na letra que é uma congada, uma manifestação brasileira importante, estou ensinando a ouvir uma congada.

Como falar de coisas importantes para as crianças sem cair na armadilha de fazer canções cheias de discursos prontos?
Paulo: De modo geral, o discurso que se faz para uma criança não pega bem na música. A não ser que se faça de uma maneira genial, como Arnaldo Antunes fez para o Castelo Rá-Tim-Bum: Lava uma mão / Lava outra / A doença vai embora junto com a sujeira / Verme, bactéria, mando embora embaixo da torneira. Mas é um segredo como se faz uma coisa dessas, com a maior objetividade do mundo, sem parecer “Vamos escovar os dentinhos”. É preciso articular muito bem a linguagem para não ficar ruim. Caetano Veloso está cheio de exemplos para adultos: Enquanto os homens exercem/ Seus podres poderes / Morrer e matar de fome / De raiva e de sede / São tantas vezes / Gestos naturais. Se você lê, parece que nem dá para cantar, que é um artigo de jornal. A articulação da linguagem é que vai convencer que aquilo ficou legal. Esse é o segredo, a gente não consegue dominar isso. Sai ou não. Apesar de ser mais difícil de perceber mentalmente, a melodia tem conteúdo também. Todo mundo percebe na pele, nos sentidos.

Vocês têm alguma expectativa com a lei recente que obriga o ensino de música nas escolas?
Sandra: Com a expectativa que a gente teve, surgiram os cinco volumes de Brincadeiras Musicais e dois de Brincadeirinhas Musicais É uma maneira lúdica de passar esse conhecimento. Mas, diante dessa lei, há o perigo da escola colocar de cara para os alunos ou a partitura ou o funk. E nenhum dos dois caminhos ensina música. As pessoas acham que é só ensinar partitura e está tudo resolvido. Está resolvido para a criança sair correndo e nunca mais querer ouvir falar de música. Partitura é uma codificação que pode virar música, não interessa para a criança. Outro extremo é usar o funk, que atrai, mas que muitas vezes tem letras e gestos inadequados.

Qual é, afinal, a importância do aprendizado musical na infância?
Paulo: O cara que curte música tem uma possibilidade mais espiritualizada nesse mundo, que é totalmente material. É inexplicável o efeito que a música produz até quando a criança é muito pequena, com menos de um ano. Às vezes ela chora e o adulto acha que está com medo da música. Não é medo, ela está superemocionada. É um mistério que faz com que você entre em outra sintonia. Isso no mundo inteiro, em todas as culturas possíveis. As mais primitivas tinham música para tirar você da conexão terrestre. Uma música, em dois minutos, pode te fazer chorar. É a coisa que mais rapidamente te muda, além de ser das poucas capazes de subverter o tempo: uma música de dois minutos pode parecer muito mais comprida, e uma de 16, bem mais curta. Quando a gente diz que está ensinando alguma coisa, estamos ensinando principalmente a ouvir música, a se sensibilizar por música. Acho que existe um caminho. Primeiro, você aprende as infantis. Se tiver uma base legal, escolhe a música da vida adulta. E, se chegar a curtir a música clássica, aí você estará num patamar que vai ter muito o que fazer na velhice.

Você pode ler esta entrevista completa na revista Brasil – Almanaque de cultura popular, número 165

O site deles é este aqui http://www.palavracantada.com.br/

BAILE DE CARNAVAL NO RIO!

12 de Fevereiro, às 17h

Local: Clube Monte Líbano – Av. Borges de Medeiros, 701, Lagoa

Abertura dos portões e início das atividades: 15h.

Classificação Livre. O local possui acesso para deficientes físicos.

Informações do evento: (21) 2210-2117, contato@hibridoeventos.com.br

ingressos: http://www.ingressomais.com.br

E esta é a música que estava cantando, quando entrei em casa hoje.

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