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Livro da semana: Telefone sem fio

Telefone-sem-fio

Um pouco sobre Telefone sem Fio

Adorava brincar de telefone sem fio. Quando um tio brincalhão entrava na brincadeira só para fazer rimas engraçadas e distorcer a mensagem, era ainda mais divertido. Ria até a barriga doer e sentia uma vontade enorme de ficar ali para sempre. O único problema é que só dá para brincar quando tem muita gente por perto, certo? ERRADO. Com o livro Telefone sem Fio, de Ilan Brenman e Renato Moriconi, dá até para brincar sozinho. Personagens clássicos da história e da literatura estão sempre prontos a trocar segredos com a gente. Vovozinha, Chapeuzinho Vermelho, bobo da corte, índio e pirata são alguns dos nossos novos e eternos companheiros nessa brincadeira. Além de divertido, esse é um daqueles livrões, com ilustração digna de galeria de arte e sem nenhum texto, exceto aquele que a sua imaginação pode criar. Livro lindo, ideia genial para estimular a criatividade. Eu leio mil vezes. E cada vez de um jeito diferente.

Eu e o livro

No HC, em São Paulo.

– Tiffany, o que o pirata falou pro papagaio?
– Ei, papagaio, ele disse que você é um pato.

Leio mil vezes

Telefone sem fio, de Ilan Brenman e Renato Moriconi. Companhia das Letrinhas

Para crianças de 2 a 100 anos.

Chapeuzinho e lobo

Sou apaixonada por livro-imagem! Se quiser saber mais sobre eles, leia este post aqui https://comelas.wordpress.com/2012/01/28/sem-palavras/

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Livro da semana: Flop, a história de um peixinho japonês na China

 Imagem

Um pouco sobre Flop

Flop não é a história de um peixinho japonês na China, como o subtítulo indica. É muito mais. Este livro revela, em cenas objetivas, os códigos universais de amizade e companheirismo. Nada muda o que um amigo sente pelo outro. Juntos, brindam a vida, sonham, aceitam as diferenças e as escolhas de cada um, pois sabem que esta grande amizade nunca será menor do que a distância. Neste livro-imagem, o autor Laurent Cardon traduz em ilustrações o que só conseguimos dizer com um abraço. Ou com um post como este, dedicado às grandes amigas. É no silêncio e na compreensão que as grandes amizades se revelam.

Eu e o livro

No Hospital das Clínicas:

– Tia, eu não gosto desses livros sem texto, porque eu nunca sei o que eles dizem.

– Vamos inventar?

– Oba, vamos.

Leio mil vezes

Flop – a história de um peixinho japonês na China. Laurent Cardon, Panda Books.

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Sem palavras

Você entra pela primeira vez no apartamento de uma vizinha. De cara, vê duas meias jogadas no chão. Livros empilhados e misturados com desenhos, muitos desenhos. Um prato com migalhas de ontem ainda está na mesa. Você não a conhece, mas agora já sabe muita coisa sobre ela. Gosta de literatura e de arte, tem um bom traço, jantou pão com requeijão e passa longe de fazer o estilo certinha. Como dá para saber tanto de uma pessoa, sem ao menos conhecê-la? Tendo somente sua sala como identidade? É que podemos ler cada centímetro do que vemos. Toda imagem vem cheia de palavras. O jeito que a sua amiga se veste diz muito sobre ela. A foto que carregamos na carteira fala sobre os nossos sentimentos. E assim vai até chegar à literatura infantil.

Aprendemos a ler o mundo desde pequenos, da mesma forma, também podemos ler as ilustrações. Os livros-imagem, aqueles que não têm texto escrito, seguem o mesmo ritmo da vida. A narrativa vem em imagens, e a ausência de palavras é preenchida pelos nossos silêncios e vivências. O leitor lê a sua vida nas páginas coloridas e tudo passa a fazer sentido a partir de seus pensamentos e emoções. Talvez seja por isso que cada vez que apresento às crianças o livro Folha, de Stephen Michael King, saio diferente. Vivo experiências inaugurantes a cada leitura. Certa vez, numa das passagens desta história, quando a folha começa a crescer bem no meio da cabeça do personagem, um menino ficou encantado e confessou “Olha, ele tem cabeça de samambaia. Eu também tenho cabeça de samambaia. Melhor do que ter cabeça de vento.”

Quando não estou com vontade de fazer nada, nem de contar histórias, esses livros são meus grandes companheiros. Antes de ir ao HC, coloco na bolsa Telefone sem fio, de Ilan Brenman e Renato Moriconi, e é transformação na certa. Com uma proposta diferente, este é um livro-imagem-brinquedo em que os personagens brincam de telefone sem fio, enquanto nós brincamos de adivinhar o segredo que é passado de um para o outro. Em uma das visitas à hemodiálise, ouvi em uma única leitura estas duas tiradas. Quando perguntei o que o mergulhador havia dito ao pirata, uma menina arriscou em tom grave “Ei, menino, ele disse que você é me-ni-na”. O pirata ficou ofendido e não quis passar este insulto adiante, por isso, na página seguinte, disse ao papagaio “Ei, papagaio, o mergulhador disse que você é um pato”. É um sem fim de risos e de histórias. No final, saio outra, novinha em folha.

Temos o mundo inteiro para ler. Da vida aos quadros, de uma sala à página de um livro ilustrado. E cada espaço, cada situação nos levam a sentimentos e vivências variadas. Por isso, digo que um livro-imagem é infinito. Cabem incontáveis leituras em uma só história. É óbvio que todo contador quer contar, quer falar, mas nesses casos deveria ouvir. Quando contamos a história de um livro-imagem, é a nossa voz que se imprime às páginas. Prefiro ouvir o que as crianças inventam. Elas sempre me deixam sem palavras.

Juliana Monteiro

Contadora do HC que também gosta ouvir histórias

*Texto escrito para a Associação Viva e Deixe Viver

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