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Livro da semana: Telefone sem fio

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Um pouco sobre Telefone sem Fio

Adorava brincar de telefone sem fio. Quando um tio brincalhão entrava na brincadeira só para fazer rimas engraçadas e distorcer a mensagem, era ainda mais divertido. Ria até a barriga doer e sentia uma vontade enorme de ficar ali para sempre. O único problema é que só dá para brincar quando tem muita gente por perto, certo? ERRADO. Com o livro Telefone sem Fio, de Ilan Brenman e Renato Moriconi, dá até para brincar sozinho. Personagens clássicos da história e da literatura estão sempre prontos a trocar segredos com a gente. Vovozinha, Chapeuzinho Vermelho, bobo da corte, índio e pirata são alguns dos nossos novos e eternos companheiros nessa brincadeira. Além de divertido, esse é um daqueles livrões, com ilustração digna de galeria de arte e sem nenhum texto, exceto aquele que a sua imaginação pode criar. Livro lindo, ideia genial para estimular a criatividade. Eu leio mil vezes. E cada vez de um jeito diferente.

Eu e o livro

No HC, em São Paulo.

– Tiffany, o que o pirata falou pro papagaio?
– Ei, papagaio, ele disse que você é um pato.

Leio mil vezes

Telefone sem fio, de Ilan Brenman e Renato Moriconi. Companhia das Letrinhas

Para crianças de 2 a 100 anos.

Chapeuzinho e lobo

Sou apaixonada por livro-imagem! Se quiser saber mais sobre eles, leia este post aqui https://comelas.wordpress.com/2012/01/28/sem-palavras/

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Curso Básico de Formação para Contadores de História

Já faz um ano que recebi um e-mail com o convite que, hoje, repasso a vocês. Que tal fazer o curso Básico de Formação para Contadores de História na Biblioteca Hans Christian Andersen?
Se você tiver a mesma reação que eu, vai responder imediatamente: “Nuossss, que legal! Como faço a inscrição?” As informações sobre o curso estão lá embaixo, no final do post.
Agora, se você acha que pode ser legal, mas também acha que isso, que aquilo e que aquilo outro, aqui vai uma lista de motivos para você pensar melhor:

– Se você termina de ler um livro infantil com os olhos cheios de lágrima, no curso, você vai chorar rios de alegria.

– Se você se acha meio esquisitinha porque já passou da idade de ser apaixonada por livro de criança, no curso, você vai conhecer pelo menos trinta pessoas iguais a você.

– Se o seu filho (ou neto) ama as suas histórias, está na hora de começar a contar para mais crianças. A literatura é generosa.

– Se você já passou dos 30 e ainda tem o seu livro preferido da infância na estante, isso pode ser um sinal.

– Se você sempre quis contar história, mas acha que não leva jeito para isso, pode parar de ler este post e começar a fazer a sua inscrição. Se os outros alunos soubessem contar suuuuuper bem, seriam professores.

– Se você não quer fazer o curso, porque vai morrer de vergonha de contar história para um monte de adulto, está na hora de saber que lá todos voltamos para a infância.

– Se você já se inscreveu neste curso e não conseguiu vaga, acho que deveria pensar mais um pouquinho no que escrever na Carta de Interesse. Olhe para dentro de você, e não apenas para a sua experiência com a narração.

– Se você nunca leu este blog e de repente se viu aqui, procurando informações sobre este curso, isso não é um post, é um CHAMADO!!!!!!!!

Ai, que saudade. Passar a manhã de sábado ouvindo história é quase como passar a manhã na varanda ouvindo os pássaros cantar. Eu voltava flutuando para casa, cantarolando histórias e a alegria de, finalmente, me encontrar.

Esse convite pode mudar a sua história. Não pense duas vezes. Giba Pedroza, Lili Flor, Ana Luísa Lacombe e outros mestres da narrativa sempre valem a pena.

INFORMAÇÕES PARA O CURSO BÁSICO DE FORMAÇÃO PARA CONTADORES DE HISTÓRIA
BIBLIOTECA TEMÁTICA EM CONTOS DE FADAS HANS CHRISTIAN ANDERSEN

Coordenação: Ana Luísa Lacombe
http://www.fazeconta.art.br

Inscrições: de 18 a 28 de fevereiro
Início do Curso: 16.março.2013
Período: das 09h30 às 13h30 (sábado) – passa rápido e não dá sono, juro!
Término previsto: 06.julho.2013.
GRATUITO!!!!!!!!!!

Inscrições pessoalmente. Trazer carta de interesse (escreva com o coração) e documentos pessoais.
Seg a sex: 11h às 18h
Sábado 10h às 15h

BIBLIOTECA TEMÁTICA EM CONTOS DE FADAS
HANS CHRISTIAN ANDERSEN
Av. Celso Garcia – 4142 – Tatuapé
03064-000 – São Paulo – SP
Tel/Fax: (11)2295-3447
http://bibliotecacontosdefadas.wordpress.com

formatura

Se você quer saber sobre outros cursos de narração de histórias, dê uma olhadinha no blog da Rê!
http://quantoscontosvaleumconto.wordpress.com/

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Como saber se esse livro é bom ou não para o meu filho?

Nada como começar o ano jogando fora papéis, contas e anotações que perderam o sentido. Queria encontrar mais espaço. Acabei encontrando também meus velhos amigos da faculdade: pilhas e pilhas de apostilas e xerox de textos já amarelados, mas ainda preciosos. Tatiana Belinky estava lá. Lúcida e simples, como sempre, respondendo a uma pergunta que deve passar pela cabeça de todos os pais: O que é a boa literatura infantil? Como saber se este livro é bom ou não? Resumo aqui para vocês a opinião da Tatiana Belinky, escritora consagrada por seus mais de 250 livros infantis e conhecida pela adaptação televisiva de Sítio do Picapau Amarelo.

Tatiana Belinky: Alguém que soube definir o livro bom para criança, em poucas palavras, foi uma neta minha, aos oito anos de idade, que me disse um dia:

– Sabe, Tati, livro que não dá pra rir, não dá pra chorar, não dá pra ter medo, não tem graça.

O que eu acho sobre isso hoje? A boa literatura infantil faz com que a criança more no livro, como queria o nosso grande mestre Monteiro Lobato, que soube como ninguém atingir esse resultado. Para isso, o livro precisa de dois elementos gêmeos: o primeiro, que a criança goste dele. E o segundo é que eu (isto é, quem coloca os livros nas mãos da criança) também goste dele. O livro não pode ser só interessante, mas tem que trazer algo de enriquecedor, que acrescente, que ajude a criança a abrir os olhos, os ouvidos, a sensibilidade – em suma, a cabecinha. E atenção! Sem moralismo nem didatismo, sem “dedo em riste”, sem a famigerada “moral da história” (que, por sinal, quando criança, abominava e achava um desaforo).

 

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Ano novo, antigos achados! Espero que eles sempre se renovem.

Este texto pode ser encontrado no livro O que é qualidade em literatura infantil e juvenil? Com a palavra o escritor, organizado por Ieda de Oliveira e editado pela DCL.

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Nossa história nesse Natal

O Natal tem duas fases. Primeiro, quando somos criança e ganhamos presentes. Depois, adultos, damos os presentes. Estou nessa segunda etapa. E gosto. Nesse Natal, estava numa rotina acelerada de muito trabalho, idas e vindas a lojas, enfrentando estacionamentos lotados, até que recebi um e-mail da Irene Tanabe, líder dos contadores de história do Hospital das Clínicas: “Será que vai dar para presentear as crianças este ano? Elas adorariam ganhar os livros que a gente conta.”
E agora? São muitas, muitas crianças. Como conseguir? Logo pensei em fazer uma campanha (mania de publicitário), mas nem foi preciso. Parece que o universo espera um pequeno gesto, uma frase como essa, perdida em um e-mail, para unir pessoas que estão prontas a colocar o outro em primeiro lugar, pelo menos por algumas horas do dia. Para começar, enviamos uma mensagem e seu retorno nos encheu de coragem. Esperávamos receber um livro da editora e recebemos uma caixa. Em seguida, outro incentivo. Uma doação em dinheiro. Seguimos confiantes. A resposta à pergunta da Irene chegou de lugares diferentes, por pessoas diferentes e das formas mais variadas. Sim, conseguiremos presentear todas as crianças com livros neste Natal, porque recebemos uma lista com o e-mail de alguns editores, porque uma escritora deixou vários livros seus conosco, porque nossas amigas compraram seus livros preferidos para as crianças, porque uma contadora de histórias que trabalha em editora deixou mais uma caixa de livros no hospital. E para terminar essa corrente, porque nos emprestaram um carro grande para conseguirmos retirar, em outra editora, caixas e mais caixas de livros doados. Deu certo. Nesta foto, estão os contadores de história do Viva e Deixe Viver que entregaram às crianças essa história que nasceu de todos nós e que acabei de contar para vocês. No próximo Natal, só espero receber um presente. Fazer parte disso tudo de novo.

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Obrigada a todos que fizeram parte dessa história.
Um agradecimento especial às editoras e aos editores da Melhoramentos, Cosac Naify e Saraiva.

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Livro da semana: A rainha das cores

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Um pouco sobre A rainha das cores

No livro desta semana, são as cores que desenham a narrativa. Como boa ilustradora, Jutta Bauer, escreveu e ilustrou nesta história o seu jeito de ver o mundo. Colorindo-o. Coralina, a rainha das cores, comanda o laranja, o amarelo, o azul e todos os outros habitantes de seu reino. Enquanto está de bem com a vida, faz com que seus súditos assumam suas personalidades mais radiantes. O azul, gentil e prestativo, é o primeiro a acordar para tingir o céu. Quando se sente contrariada, a rainha provoca uma grande briga, em que os sentimentos se misturam e mudam o tom da história. Onde não reina a harmonia, tudo se desbota e fica cinza. O final dessa história é você quem continua. E aí, de que cor você vai pintar o seu dia?

Eu e o livro

– Eu sou um coelho!
E eu sô um cachoínho.
– Eu sou arroz.
Sô fijão.
– Eu sou amarela.
E eu sô rosa.
– E você, de que cor é?

Leio mil vezes

A rainha das cores. Jutta Bauer, Cosac Naify.

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Livro da semana: Flop, a história de um peixinho japonês na China

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Um pouco sobre Flop

Flop não é a história de um peixinho japonês na China, como o subtítulo indica. É muito mais. Este livro revela, em cenas objetivas, os códigos universais de amizade e companheirismo. Nada muda o que um amigo sente pelo outro. Juntos, brindam a vida, sonham, aceitam as diferenças e as escolhas de cada um, pois sabem que esta grande amizade nunca será menor do que a distância. Neste livro-imagem, o autor Laurent Cardon traduz em ilustrações o que só conseguimos dizer com um abraço. Ou com um post como este, dedicado às grandes amigas. É no silêncio e na compreensão que as grandes amizades se revelam.

Eu e o livro

No Hospital das Clínicas:

– Tia, eu não gosto desses livros sem texto, porque eu nunca sei o que eles dizem.

– Vamos inventar?

– Oba, vamos.

Leio mil vezes

Flop – a história de um peixinho japonês na China. Laurent Cardon, Panda Books.

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Livro da semana: Adivinha quanto eu te amo

Um pouco sobre o livro

Dizem que ninguém é capaz de medir o amor. Os coelhos dessa fábula são. Em Adivinha quanto eu te amo, Coelho Pai e Filho não só medem o amor que sentem um pelo outro como disputam este sentimento sem medidas. Em uma brincadeira envolvente, o filho ama mais do que o pai até a página seguinte, quando este consegue mostrar que seu sentimento é ainda maior. A história segue, e a disputa também. Eles nunca chegam a um acordo, afinal, amor entre pai e filho é infinito.

Eu e o livro

Quando a história acaba, a brincadeira pode saltar do livro e ganhar vida.

– Nina, meu amor por você é maior do que a barriga do vovô.

– Vovô, barrigão.

Leio mil vezes

Adivinha quanto eu te amo

De Sam McBratney, ilustração de Anita Jeram

Editora Martins Fontes

*Ganhei este livro em uma promoção da Fundação Itaú Social.

A tiragem desta coleção já se esgotou. Tomara que venham outras.

http://www.itau.com.br/itaucrianca/

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O Giba e a Margarida

Quando penso em narração de histórias, penso em Giba Pedroza.

Quando penso em ilustração de livro infantil, penso em André Neves.

Acho que outras pessoas também pensam assim. Acabo de encontrar um vídeo fantástico que une o talento desses dois personagens tão importantes para o imaginário infantil.

Quem não conhece Giba Pedroza precisa conhecer. E quem não conhece Margarida, livro de André Neves, não sabe o que está perdendo.

Vejo mil vezes. Minha sobrinha também.

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Hoje é dia do OU. Antes fosse dia do E.

Ou isto ou aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol.
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecília Meirelles

 

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Bartolomeu de Campos Queirós, um professor

Há alguns meses, fui à biblioteca da Faculdade de Educação, USP, para procurar um livro sobre defasagens na alfabetização e leitura.

Não encontrei o livro. Encontrei um autor. Bartolomeu de Campos Queirós.

Deixo aqui um pouco do que este escritor ensinou aos professores e a pessoas como eu, que se sensibilizam ao ver crianças semi-analfabetas na quinta série.

“A primeira leitura que a criança faz na sala de aula é a do olhar do professor. Há pessoas que, quando nos olham, nos afastam. Outras, quando nos olham, nos acariciam. Há crianças que não aprendem porque o olhar do professor não deixa. Há criança que não usa a liberdade porque tem medo do olhar do professor. O olhar do professor imobiliza. Muitas vezes, jogamos nas costas dos métodos a não aprendizagem da criança, quando, às vezes, a aprendizagem da criança é interditada pelo olhar do professor, que é a primeira leitura que ela faz.” Bartolomeu de Campos Queirós.

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