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Nossa história nesse Natal

O Natal tem duas fases. Primeiro, quando somos criança e ganhamos presentes. Depois, adultos, damos os presentes. Estou nessa segunda etapa. E gosto. Nesse Natal, estava numa rotina acelerada de muito trabalho, idas e vindas a lojas, enfrentando estacionamentos lotados, até que recebi um e-mail da Irene Tanabe, líder dos contadores de história do Hospital das Clínicas: “Será que vai dar para presentear as crianças este ano? Elas adorariam ganhar os livros que a gente conta.”
E agora? São muitas, muitas crianças. Como conseguir? Logo pensei em fazer uma campanha (mania de publicitário), mas nem foi preciso. Parece que o universo espera um pequeno gesto, uma frase como essa, perdida em um e-mail, para unir pessoas que estão prontas a colocar o outro em primeiro lugar, pelo menos por algumas horas do dia. Para começar, enviamos uma mensagem e seu retorno nos encheu de coragem. Esperávamos receber um livro da editora e recebemos uma caixa. Em seguida, outro incentivo. Uma doação em dinheiro. Seguimos confiantes. A resposta à pergunta da Irene chegou de lugares diferentes, por pessoas diferentes e das formas mais variadas. Sim, conseguiremos presentear todas as crianças com livros neste Natal, porque recebemos uma lista com o e-mail de alguns editores, porque uma escritora deixou vários livros seus conosco, porque nossas amigas compraram seus livros preferidos para as crianças, porque uma contadora de histórias que trabalha em editora deixou mais uma caixa de livros no hospital. E para terminar essa corrente, porque nos emprestaram um carro grande para conseguirmos retirar, em outra editora, caixas e mais caixas de livros doados. Deu certo. Nesta foto, estão os contadores de história do Viva e Deixe Viver que entregaram às crianças essa história que nasceu de todos nós e que acabei de contar para vocês. No próximo Natal, só espero receber um presente. Fazer parte disso tudo de novo.

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Obrigada a todos que fizeram parte dessa história.
Um agradecimento especial às editoras e aos editores da Melhoramentos, Cosac Naify e Saraiva.

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Livro da semana: A rainha das cores

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Um pouco sobre A rainha das cores

No livro desta semana, são as cores que desenham a narrativa. Como boa ilustradora, Jutta Bauer, escreveu e ilustrou nesta história o seu jeito de ver o mundo. Colorindo-o. Coralina, a rainha das cores, comanda o laranja, o amarelo, o azul e todos os outros habitantes de seu reino. Enquanto está de bem com a vida, faz com que seus súditos assumam suas personalidades mais radiantes. O azul, gentil e prestativo, é o primeiro a acordar para tingir o céu. Quando se sente contrariada, a rainha provoca uma grande briga, em que os sentimentos se misturam e mudam o tom da história. Onde não reina a harmonia, tudo se desbota e fica cinza. O final dessa história é você quem continua. E aí, de que cor você vai pintar o seu dia?

Eu e o livro

– Eu sou um coelho!
E eu sô um cachoínho.
– Eu sou arroz.
Sô fijão.
– Eu sou amarela.
E eu sô rosa.
– E você, de que cor é?

Leio mil vezes

A rainha das cores. Jutta Bauer, Cosac Naify.

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Sou

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Tia Alda era um mistério para mim, menina tímida, de pouca conversa. Tinha o dom de encantar com as palavras. Qualquer mal-entendido entre os parentes, lá vinha ela, por vontade própria, ou convocada com urgência, para colocar as coisas em ordem. Se um conflito avultava, tia Alda o reduzia; se o rio familiar transbordava de intrigas, ela o devolvia à calma de suas nascentes; se o vento da discórdia soprava, ela o recolhia com a agilidade de quem caçava borboletas.

Lembro-me de uma de suas proezas, uma das que mais me impressionaram. Sem sabermos o motivo, uma de nossas vizinhas um dia desentendeu-se com o marido: pegou uma faca de repente e saiu em correria pelo quintal atrás dele, ameaçando matá-lo. Era um caso perigoso porque a mulher usava habilmente facas, facões e machadinhas: degolava frangos para outras donas de casa, matava leitoas e limpava peixes a pedido dos homens do bairro. O marido, encurralado entre o tanque e a jabuticabeira, tentava se safar e suplicava para que ela o poupasse.

Alguém chamou tia Alda às pressas. Eu estava na varanda de casa, apavorada, quando ela voltou da vizinha com a faca na mão, o rosto sereno. Minha mãe, pasma com aquele milagre, perguntou-lhe:

— Deus, como você conseguiu?
— Com paciência! — respondeu tia Alda.

— Sim, mas qual é o segredo?
— O segredo está nas palavras.

Nessa época, eu aprendia a ler e a escrever e me peguei imaginando quais palavras ela usara para desarmar a vizinha e conseguir a sua rendição.

Então, uma tarde na escola, depois de soar a campainha anunciando o fim das aulas, demorei para sair e, ao fazê-lo, umas meninas pararam no portão e me impediram a passagem. Pedi educadamente que me deixassem passar. Negaram-se. E, como tentei escapar à força, empurraram-me de lá para cá, beliscaram-me e só não me bateram porque um inspetor viu a provocação e veio em meu socorro. Cheguei arrasada em casa, as marcas de arranhões nos braços, os olhos vermelhos. De nada valeu minha mãe tentar me extrair a verdade, eu me recolhera num mutismo de aço. Aborrecida com minha teimosia, telefonou para a irmã, pedindo-lhe que viesse falar comigo.

Pouco depois, ouvi tia Alda bater à porta de meu quarto.

— Posso entrar? — perguntou.
Já que eu não respondia nem sim nem não, ela girou a maçaneta, entrou, mansamente, e se sentou ao pé da cama. Não disse nada e se manteve assim um tempão. Em vez de me sentir acuada, animei-me a falar e pensei que seu segredo não estava nas palavras, mas em seu silêncio. Contei-lhe, então, aos pedaços, o que me sucedera. Ao relembrar a humilhação de que fora vítima, voltei a soluçar. Por que as meninas tinham feito aquilo comigo?

Depois de meu desabafo, ela se levantou; vendo minha mochila escolar, pegou um caderno e o folheou por longo tempo, como se não encontrasse o que me dizer. Seria a primeira derrota dela e me senti duplamente triste em imaginar que meu ídolo cairia diante de meus pés. Mas, de repente, ela fechou o caderno, suspirou e perguntou se eu sabia a diferença entre vogais e consoantes, o que me decepcionou ainda mais; eu precisava da ajuda dela e desejava experimentar plenamente em mim o seu milagre.

Virei o rosto e me recusei a responder, não queria falar de nada que lembrasse a escola onde eu, havia pouco, provara aquela lição dolorosa. Aí ela disse que o mundo era como o alfabeto, feito de vogais e consoantes. As vogais eram sons que nasciam quando o
ar saía livremente pela nossa boca. As consoantes não: os lábios, os dentes, a língua e o palato criavam obstáculos à passagem do ar quando a gente as pronunciava.

Eu era uma vogal e tentara passar livremente pelo portão, mas as meninas, consoantes, haviam me impedido. E se existissem apenas vogais, ou só consoantes, o mundo teria de ser escrito de outra maneira; o bonito era que podíamos fazer inúmeras combinações.

Conforme tia Alda falava, comecei a pensar nas pessoas que eu conhecia, a comparar uma das garotas balofas com a letra B, o inspetor alto e magro que me socorrera com a letra I, a minha rechonchuda prima com a letra O, e, assim, fui me alegrando a cada vez que encontrava no alfabeto uma vogal ou consoante que lembrava algum conhecido.

Agora, tantos anos depois, recebo por telefone a notícia de que ela morreu. Ao saber pela voz de minha mãe as circunstâncias, estremeço com a escrita do destino, ou do acaso, se é que ambos não são faces da mesma moeda. Tia Alda fora ao banco pagar uma conta, quando três assaltantes, entre eles uma mulher, renderam os seguranças e exigiram o dinheiro do cofre. A polícia cercou o banco, os ladrões fizeram dos clientes e funcionários seus reféns.

Meu coração se comprimia, enquanto ela me contava os detalhes: o tempo passara e as negociações não evoluíam. Então, os assaltantes ameaçaram matar uma pessoa a cada meia hora, se não lhes facilitassem a fuga. Depois de uma hora, soaram dois estampidos; Era só pra assustar, minha mãe disse, chorando, ninguém tinha se fe- rido, como se soube mais tarde.

Mas aí, quando os policiais invadiam o banco para libertar os reféns, tia Alda surgiu à porta com umas armas nas mãos. Tinha convencido os assaltantes a se entregarem, filha! Só que os policiais a confundiram com cúmplice dos ladrões. Não sabiam o que eu descobri, naquela tarde, com as suas palavras: que ela era uma vogal. Ela estava ali para lhes abrir a passagem.

Conto Vogal, em Aquela água toda de João Anzanello Carrascoza.

 

Você pode ver o João falando um pouco sobre este livro aqui, ó.

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Wish List

Tenho apego aos livros. Os digitais são super bem-vindos, mas enquanto houver livro na livraria, estarei lá. Eu e a minha listinha. Carrego na carteira um papel amassado, cheio de indicações de livros infantis. Quem indicou? Amigos contadores, escritores, a Folha e a Revista Crescer, que sempre publica os melhores do ano. A minha wish list é uma espécie de funil para as visitas rápidas à livraria. Peço para o vendedor buscar os 10 primeiros títulos da lista. Normalmente, ele volta com quatro. Dos quatro, escolho um. Antes disso, fico meia hora à deriva, mergulhando nas páginas em busca de mim e do livro da vez. Algum destes será o próximo. Compartilho com vocês.

Os dez próximos títulos da minha wish lis

– Era uma vez três – Rosane Pamplona, Editora Moderna

– Os Amigos do Balacobaco – Ana Terra, Callis

– O Pato, A Morte e a Tulipa – Wolf Erlbruch, Cosac Naify

– Lóris Lento – Alexis Deacon, Cosac Naify

– Seu soninho, cadê você? – Virginie Guérin, Companhia das Letrinhas

– A casa dos beijinhos – Claudia Bielinsky, Companhia das Letrinhas

– Casal Verde – Índigo, Hedra

– Casulos – André Neves, Ed. Global

– O vento – Rui de Oliveira, DCL

– Isso é um poema que cura os peixes – Jean-Pierre Siméon, SM

Alguém tem outras dicas? Minha wish list nunca vai ter fim.

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Na Cosac, livro infantil é obra de arte. Aproveitem a promoção.

Hoje é o último dia da promoção dos livros infantis da Cosac Naify.

Clique aqui e escolha o seu.

http://editora.cosacnaify.com.br/loja/estatica.aspx?id=43


Livros que recomendo:

– Ops

– Assim ou assado?

– Sombra

–  A casa assombrada

– Como um peixe na água

– O presente

– Espelho

– O pato, a morte e a Tulipa

– Pê de pai

– O dariz (para contar de nariz tampado)

– O fazedor de velhos (infantojuvenil sensacional)

– Quem quer este rinoceronte?

– Fico à espera

– A árvore generosa (lindoooooooo)

– A fada feiticeira

– Uma girafa e tanto

– A rainha das cores (poesia em cor)

 

Livros que gostaria de comprar:

Todos os que estão no site e não estão na lista acima. Risos
Aproveitem a promoção. Os infantis da Cosac Naify sempre valem a pena.
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