Livro da semana: A rainha das cores

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Um pouco sobre A rainha das cores

No livro desta semana, são as cores que desenham a narrativa. Como boa ilustradora, Jutta Bauer, escreveu e ilustrou nesta história o seu jeito de ver o mundo. Colorindo-o. Coralina, a rainha das cores, comanda o laranja, o amarelo, o azul e todos os outros habitantes de seu reino. Enquanto está de bem com a vida, faz com que seus súditos assumam suas personalidades mais radiantes. O azul, gentil e prestativo, é o primeiro a acordar para tingir o céu. Quando se sente contrariada, a rainha provoca uma grande briga, em que os sentimentos se misturam e mudam o tom da história. Onde não reina a harmonia, tudo se desbota e fica cinza. O final dessa história é você quem continua. E aí, de que cor você vai pintar o seu dia?

Eu e o livro

– Eu sou um coelho!
E eu sô um cachoínho.
– Eu sou arroz.
Sô fijão.
– Eu sou amarela.
E eu sô rosa.
– E você, de que cor é?

Leio mil vezes

A rainha das cores. Jutta Bauer, Cosac Naify.

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O que a arquitetura tem a ver com a literatura?

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A resposta está na esquina entre a avenida Amsterdam e a rua 87th em NY. John Locke, arquiteto americano, criou uma instalação para repaginar os telefones públicos, cada vez mais esquecidos, e para promover a leitura. Quem se aproxima do telefone-biblioteca lê a frase “Take a book, leave a book” (Pegue um livro, deixe um livro). Funciona simples assim. Tomara que projetos como este e o Parada do Livro sigam em frente.

Este é o blog do arquiteto http://gracefulspoon.com/blog/2011/07/06/dub-002/

Obrigada, Irene Tanabe, por mais esta dica!

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Parada do Livro, um projeto para a literatura viver em trânsito

Quem mora em São Paulo sabe o quanto é ruim demorar duas horas para chegar em casa. De carro, a gente se distrai com a música. De ônibus, as duas horas se transformam em quatro, pelo menos dentro de mim. E quando chove? É aquele mundo de gente trocando virose, mau hálito e banho vencido. Interminável. Por isso, toda vez que  pego um ônibus, pego um livro. O tempo voa, e as imagens literárias são bem mais agradáveis do que um mar de carros à frente. Tenho certeza de que não sou a única a pensar assim. Duas estudantes da ESPM, Helena Aranha e Helena Nabuco criaram um projeto para a faculdade que pode até virar um projeto de vida. O Parada do Livro é uma iniciativa de incentivo à leitura em trânsito. As meninas arrecadam fundos pelo Catarse para montar estantes de livros em pontos de ônibus na cidade de São Paulo. Em um mês, elas conseguiram a verba para 10 estantes. Já que serei uma das leitoras, contribuí com o projeto. E você?

Saiba mais em http://catarse.me/pt/paradadolivro

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5 minutos de Flipinha

Saí cedo para assistir ao encontro entre Angela Lago e Luís Fernando Veríssimo, mas cheguei atrasada. O horário estava errado na programação. Só deu tempo de trazer comigo as últimas palavras da autora. E minha bagagem já voltou cheia de alegria.

O MEU MAIOR INCENTIVO À LEITURA FORAM AS RISADAS E AS LÁGRIMAS QUE OS LIVROS ARRANCAVAM DE MINHA MÃE. CERTA VEZ, CHEGUEI EM CASA E ELA ESTAVA ÀS GARGALHADAS NO SOFÁ COM UM LIVRO QUE EU TINHA QUE LER PARA A ESCOLA, CORAÇÃO. AINDA NÃO HAVIA ABERTO O LIVRO. NO MESMO DIA, COMECEI A LÊ-LO. QUERIA DESCOBRIR O QUE DESPERTAVA TANTOS SENTIMENTOS NA MINHA MÃE. ANGELA LAGO

Vi muito pouco da Flipinha. Mas o pouco que vi só aumentou a minha vontade de caminhar com as histórias.

Ilustração Juliana Bollini

Mãe, um incentivo à leitura

 

Ilustração: Juliana Bollini

http://julianabollini.blogspot.com.br/

 

Livro da semana: Flop, a história de um peixinho japonês na China

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Um pouco sobre Flop

Flop não é a história de um peixinho japonês na China, como o subtítulo indica. É muito mais. Este livro revela, em cenas objetivas, os códigos universais de amizade e companheirismo. Nada muda o que um amigo sente pelo outro. Juntos, brindam a vida, sonham, aceitam as diferenças e as escolhas de cada um, pois sabem que esta grande amizade nunca será menor do que a distância. Neste livro-imagem, o autor Laurent Cardon traduz em ilustrações o que só conseguimos dizer com um abraço. Ou com um post como este, dedicado às grandes amigas. É no silêncio e na compreensão que as grandes amizades se revelam.

Eu e o livro

No Hospital das Clínicas:

– Tia, eu não gosto desses livros sem texto, porque eu nunca sei o que eles dizem.

– Vamos inventar?

– Oba, vamos.

Leio mil vezes

Flop – a história de um peixinho japonês na China. Laurent Cardon, Panda Books.

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Tatiana Belinky responde

Comece por não mandar. Livro não é castigo, não é tarefa, não é chateação. Tem de ser curtição, prazer, tem de ser passatempo, tem de ser interessante. Existe muita coisa boa! 

Tatiana Belinky, em entrevista à Revista Crescer

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Livro da semana: Adivinha quanto eu te amo

Um pouco sobre o livro

Dizem que ninguém é capaz de medir o amor. Os coelhos dessa fábula são. Em Adivinha quanto eu te amo, Coelho Pai e Filho não só medem o amor que sentem um pelo outro como disputam este sentimento sem medidas. Em uma brincadeira envolvente, o filho ama mais do que o pai até a página seguinte, quando este consegue mostrar que seu sentimento é ainda maior. A história segue, e a disputa também. Eles nunca chegam a um acordo, afinal, amor entre pai e filho é infinito.

Eu e o livro

Quando a história acaba, a brincadeira pode saltar do livro e ganhar vida.

– Nina, meu amor por você é maior do que a barriga do vovô.

– Vovô, barrigão.

Leio mil vezes

Adivinha quanto eu te amo

De Sam McBratney, ilustração de Anita Jeram

Editora Martins Fontes

*Ganhei este livro em uma promoção da Fundação Itaú Social.

A tiragem desta coleção já se esgotou. Tomara que venham outras.

http://www.itau.com.br/itaucrianca/

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Sou

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Tia Alda era um mistério para mim, menina tímida, de pouca conversa. Tinha o dom de encantar com as palavras. Qualquer mal-entendido entre os parentes, lá vinha ela, por vontade própria, ou convocada com urgência, para colocar as coisas em ordem. Se um conflito avultava, tia Alda o reduzia; se o rio familiar transbordava de intrigas, ela o devolvia à calma de suas nascentes; se o vento da discórdia soprava, ela o recolhia com a agilidade de quem caçava borboletas.

Lembro-me de uma de suas proezas, uma das que mais me impressionaram. Sem sabermos o motivo, uma de nossas vizinhas um dia desentendeu-se com o marido: pegou uma faca de repente e saiu em correria pelo quintal atrás dele, ameaçando matá-lo. Era um caso perigoso porque a mulher usava habilmente facas, facões e machadinhas: degolava frangos para outras donas de casa, matava leitoas e limpava peixes a pedido dos homens do bairro. O marido, encurralado entre o tanque e a jabuticabeira, tentava se safar e suplicava para que ela o poupasse.

Alguém chamou tia Alda às pressas. Eu estava na varanda de casa, apavorada, quando ela voltou da vizinha com a faca na mão, o rosto sereno. Minha mãe, pasma com aquele milagre, perguntou-lhe:

— Deus, como você conseguiu?
— Com paciência! — respondeu tia Alda.

— Sim, mas qual é o segredo?
— O segredo está nas palavras.

Nessa época, eu aprendia a ler e a escrever e me peguei imaginando quais palavras ela usara para desarmar a vizinha e conseguir a sua rendição.

Então, uma tarde na escola, depois de soar a campainha anunciando o fim das aulas, demorei para sair e, ao fazê-lo, umas meninas pararam no portão e me impediram a passagem. Pedi educadamente que me deixassem passar. Negaram-se. E, como tentei escapar à força, empurraram-me de lá para cá, beliscaram-me e só não me bateram porque um inspetor viu a provocação e veio em meu socorro. Cheguei arrasada em casa, as marcas de arranhões nos braços, os olhos vermelhos. De nada valeu minha mãe tentar me extrair a verdade, eu me recolhera num mutismo de aço. Aborrecida com minha teimosia, telefonou para a irmã, pedindo-lhe que viesse falar comigo.

Pouco depois, ouvi tia Alda bater à porta de meu quarto.

— Posso entrar? — perguntou.
Já que eu não respondia nem sim nem não, ela girou a maçaneta, entrou, mansamente, e se sentou ao pé da cama. Não disse nada e se manteve assim um tempão. Em vez de me sentir acuada, animei-me a falar e pensei que seu segredo não estava nas palavras, mas em seu silêncio. Contei-lhe, então, aos pedaços, o que me sucedera. Ao relembrar a humilhação de que fora vítima, voltei a soluçar. Por que as meninas tinham feito aquilo comigo?

Depois de meu desabafo, ela se levantou; vendo minha mochila escolar, pegou um caderno e o folheou por longo tempo, como se não encontrasse o que me dizer. Seria a primeira derrota dela e me senti duplamente triste em imaginar que meu ídolo cairia diante de meus pés. Mas, de repente, ela fechou o caderno, suspirou e perguntou se eu sabia a diferença entre vogais e consoantes, o que me decepcionou ainda mais; eu precisava da ajuda dela e desejava experimentar plenamente em mim o seu milagre.

Virei o rosto e me recusei a responder, não queria falar de nada que lembrasse a escola onde eu, havia pouco, provara aquela lição dolorosa. Aí ela disse que o mundo era como o alfabeto, feito de vogais e consoantes. As vogais eram sons que nasciam quando o
ar saía livremente pela nossa boca. As consoantes não: os lábios, os dentes, a língua e o palato criavam obstáculos à passagem do ar quando a gente as pronunciava.

Eu era uma vogal e tentara passar livremente pelo portão, mas as meninas, consoantes, haviam me impedido. E se existissem apenas vogais, ou só consoantes, o mundo teria de ser escrito de outra maneira; o bonito era que podíamos fazer inúmeras combinações.

Conforme tia Alda falava, comecei a pensar nas pessoas que eu conhecia, a comparar uma das garotas balofas com a letra B, o inspetor alto e magro que me socorrera com a letra I, a minha rechonchuda prima com a letra O, e, assim, fui me alegrando a cada vez que encontrava no alfabeto uma vogal ou consoante que lembrava algum conhecido.

Agora, tantos anos depois, recebo por telefone a notícia de que ela morreu. Ao saber pela voz de minha mãe as circunstâncias, estremeço com a escrita do destino, ou do acaso, se é que ambos não são faces da mesma moeda. Tia Alda fora ao banco pagar uma conta, quando três assaltantes, entre eles uma mulher, renderam os seguranças e exigiram o dinheiro do cofre. A polícia cercou o banco, os ladrões fizeram dos clientes e funcionários seus reféns.

Meu coração se comprimia, enquanto ela me contava os detalhes: o tempo passara e as negociações não evoluíam. Então, os assaltantes ameaçaram matar uma pessoa a cada meia hora, se não lhes facilitassem a fuga. Depois de uma hora, soaram dois estampidos; Era só pra assustar, minha mãe disse, chorando, ninguém tinha se fe- rido, como se soube mais tarde.

Mas aí, quando os policiais invadiam o banco para libertar os reféns, tia Alda surgiu à porta com umas armas nas mãos. Tinha convencido os assaltantes a se entregarem, filha! Só que os policiais a confundiram com cúmplice dos ladrões. Não sabiam o que eu descobri, naquela tarde, com as suas palavras: que ela era uma vogal. Ela estava ali para lhes abrir a passagem.

Conto Vogal, em Aquela água toda de João Anzanello Carrascoza.

 

Você pode ver o João falando um pouco sobre este livro aqui, ó.

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O Giba e a Margarida

Quando penso em narração de histórias, penso em Giba Pedroza.

Quando penso em ilustração de livro infantil, penso em André Neves.

Acho que outras pessoas também pensam assim. Acabo de encontrar um vídeo fantástico que une o talento desses dois personagens tão importantes para o imaginário infantil.

Quem não conhece Giba Pedroza precisa conhecer. E quem não conhece Margarida, livro de André Neves, não sabe o que está perdendo.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=grUXK1nA8u0%5D

Vejo mil vezes. Minha sobrinha também.

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Hoje é dia do OU. Antes fosse dia do E.

Ou isto ou aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol.
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecília Meirelles

 

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