Arquivo mensal: maio 2012

Hoje é dia do OU. Antes fosse dia do E.

Ou isto ou aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol.
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecília Meirelles

 

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Bartolomeu de Campos Queirós, um professor

Há alguns meses, fui à biblioteca da Faculdade de Educação, USP, para procurar um livro sobre defasagens na alfabetização e leitura.

Não encontrei o livro. Encontrei um autor. Bartolomeu de Campos Queirós.

Deixo aqui um pouco do que este escritor ensinou aos professores e a pessoas como eu, que se sensibilizam ao ver crianças semi-analfabetas na quinta série.

“A primeira leitura que a criança faz na sala de aula é a do olhar do professor. Há pessoas que, quando nos olham, nos afastam. Outras, quando nos olham, nos acariciam. Há crianças que não aprendem porque o olhar do professor não deixa. Há criança que não usa a liberdade porque tem medo do olhar do professor. O olhar do professor imobiliza. Muitas vezes, jogamos nas costas dos métodos a não aprendizagem da criança, quando, às vezes, a aprendizagem da criança é interditada pelo olhar do professor, que é a primeira leitura que ela faz.” Bartolomeu de Campos Queirós.

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10 dicas de quem é voluntário para quem vai ser voluntário do Viva e Deixe Viver

Tias, primas e novos contadores do Viva e Deixe Viver, estas dicas são para vocês.

Valdir Cimino, quem começou esta história

Valdir Cimino, quem começou esta história

1. Dica da Irene Tanabe: Acredite no que está contando

Acredite no que está contando. Tenha convicção na sua história. Seja convincente, até o ponto de você mesmo acreditar no que está narrando. “Essa história é de verdade?”, perguntou uma criança. “Algumas lendas são baseadas em fatos”, respondi com a maior certeza do mundo. “Arrrrghhhh, que medo!” Ela ficou pensativa por alguns instantes. Eu não tinha certeza de nada, mas contei com tanta verdade que a história parecia viva. Pulsava.

Irene Tanabe conta histórias com origamis e encanta a todos com sua serenidade e simpatia. Ela é a minha cabeça de chave no Instituto da Criança, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

2. Dica da Vânia: Abra a porta do quarto devagar, como se estivesse abrindo uma caixinha de surpresa

Quando estamos prontos para entrar no quarto da criança, temos que imaginar que estamos abrindo uma caixinha de surpresa. Delicada e misteriosa. Ao bater à porta do quarto, temos que abri-la silenciosamente, sem fazer alarde, desvendando aos poucos o cenário e a personagem da história que lá nos aguarda. Por que uma caixinha de surpresa? Porque quase sempre não sabemos o que nos espera. Mesmo já sabendo o nome e a idade da criança (fundamental para o primeiro contato), precisamos chegar de mansinho. Estamos adentrando “sua casa” naquele momento, somos uma visita que não foi convidada, muito embora eles queiram a nossa presença por mais tempo possível. Como não sabemos o que nos espera, devemos olhar o ambiente como um todo, sentir a vibração do quarto, olhar no olho da criança, cumprimentá-la com um sorriso, nos apresentar para, então, escolher a história que será contada. Eu penso que para cada criança existe uma história. Para cada momento de vivência existe uma história. Assim fica mais fácil decidir o que contar e não correr o risco de entrar no quarto “tocando corneta”, pulando e cantando, quando a criança que lá está acabou de fazer uma cirurgia e ainda está sedada ou com dor.

Vânia é cabeça de chave do hospital Samaritano há 7 anos

3. Dica da Alice Arruda: escolha histórias curtas e simples

O que é preciso para ser voluntário do Viva? Estar muito consciente do que é ser voluntário e comprometido com a causa. O que faz bem? Estar transbordando de amor. O que é melhor fazer? Sorrir, deixar o coração guiar as suas emoções e dar o seu melhor naquele momento. Como foi o meu primeiro dia? A minha estreia foi especial, sempre é especial este momento, afinal a gente se prepara tanto… Uma dica? Contar histórias curtas e simples, os livros da Brinque Book são os melhores, pois têm ilustrações fantásticas.

Alice Arruda é cabeça de chave do Hospital Sírio Libanês

4. Dica da Marília Tresca: conte histórias para os bebês

Muitas vezes evitamos os bebezinhos, pois pensamos que eles não vão entender a história, o que é um engano. Mesmo que eles não entendam o conteúdo da história, eles percebem a energia, o carinho, a atenção, os sons, as imagens, o tato. Certa vez, entrei num quarto em que havia uma bebezinha com seus 4 meses de vida. Estava no colo da mãe, choramingando. A mãe, visivelmente cansada e sem paciência, colocou-a no berço logo que entrei. Me apresentei, disse que era contadora de histórias do Viva e que iria contar história para a menina. A mãe arregalou os olhos, como quem diz: Nossa! Pra quê? Ela não entende nada. Eu então fiquei ao lado do berço, com a menina chorando, e comecei a contar a história dos Três Porquinhos. Imediatamente, ela parou de chorar e fixou os olhinhos em mim. Eu contava a história com todas as letras, gesticulando, soprando, mudando as vozes e cantando. A menininha continuava com os olhos vidrados em mim. Até mudei de lado para ver se ela me acompanhava com o olhar, o que fez sem piscar. A mãe mudou a expressão de incredulidade para surpresa e tranquilidade. Continuei contando a história e lá pelo meio a bebê fechou os olhinhos e dormiu. Um soninho tranquilo, de anjo. A mãe na mesma hora disse: Ela gostou da história! Coitada da mãe, estava aliviada, pois provavelmente era a primeira vez que descansaria um pouco. Saí do quarto com a “alma lavada” e aprendi que os bebês gostam e precisam de histórias, além, é claro, de suas mamães e acompanhantes. Por isso, contem histórias para os bebês, se eles estiverem acordados, claro.

Marília Tresca é cabeça de chave do Hospital Cruz Azul

5. Dica da Alexsandra Mauro: seja verdadeiro e espontâneo

Já ouviram aquela história que um bicho feroz tem mais medo de nós, do que nós dele? Pois é, isso é verdade e também acontece com as crianças. Não tenha medo delas, de sua aprovação. Lembre-se de que são crianças. Elas gostam é de arte (no mau sentido da palavra) e alegria. Chegue com um sorriso no rosto e com espírito de que veio para bagunçar, mesmo que esteja num hospital. É disso que elas precisam esquecer, que estão lá. Torne-se criança. Use linguagem de criança, pense como criança, interesse-se sobre o universo das crianças (desenhos, filmes, músicas, brinquedos) para ter sobre o que conversar. E quando conversar, fale de igual para igual, sem essa de falar tudo no diminutivo. Se encantar para encantar. Escolha histórias, com as quais você se emocionou, se divertiu, pois essa emoção vai estar presente na sua fala e nos seus olhos, aí não tem como elas não gostarem também. Seja amiga (o). Não tenha a pretensão de educar, não somos seus pais, claro que se presenciarmos algo gritante, podemos e devemos alertá-las. Muitos livros, por si só, já transmitem valores, mas não fique presa nessas histórias, mas vale uma que arranque uma boa gargalhada…pense no agora, em transformar o momento presente, e não o futuro. SEJA NATURAL E ESPONTÂNEA! Não tente imitar ninguém, e quando algo não funcionar, ria de si mesma(o), se a história não a fez rir, sua risada certamente a fará!

Alexsandra Mauro, mais conhecida como Tia Doida, é atriz, dubladora e voluntária do Icr 

6.  Dica do Paulo Cavalheiro: deficientes não têm deficiência

Nesta visita já estava com o Avental Oficial, Crachá Oficial, Pins Oficiais e tudo o mais não oficial que cabia nos espaços “estrategicamente” colocados nos bolsos, laterais, costas. Lá se encontravam penduricalhos, chaveiros e até livros, estes dentro de uma bolsa de pano. No quarto apenas um garoto de 12 anos (Raphael), poucas luzes acesas, televisão desligada. O menino estava deitado de lado olhando para a porta e no momento que entrei ele não esboçou nenhum sinal. Apresentei-me, e percebi que havia alguém no banheiro, pois o chuveiro estava ligado. Comecei minha apresentação pessoal. Meu nome é Paulo, voluntário da Associação Viva e Deixe Viver, contamos histórias para crianças que gostam ou não de histórias, qual o seu nome, idade. Nenhuma resposta. Percebi que o paciente tinha alguma dificuldade para se comunicar. 

Ele me olhava fixo, dificilmente piscava, porém ficava em uma posição adequada para que eu mostrasse o livro e contasse uma história. Escolhi: “O Cãozinho Bug’s”. Lá pela metade do livro aparece a mãe e com muita educação pergunta o que estou fazendo. Expliquei e, quando ia continuar a história, ela me interrompe educadamente e diz que seu filho não poderia ver o livro que eu estava mostrando, pois ele é cego. Continuei e novamente a interrupção:

– Olha moço, disse a mãe, o senhor está perdendo seu tempo!

– A senhora acha? Por quê?

– Meu filho, além de cego, também tem deficiência auditiva, ele não está nem vendo o livro e nem escutando o senhor! O senhor está perdendo seu tempo! Tantas crianças neste andar que aproveitariam melhor…

Dei um leve sorriso de compreensão, porém pedi que ela me deixasse terminar a história, pois já estava quase no fim. A mãe consentiu prontamente e até comentou que gostava de histórias quando criança, infelizmente não podia contar para o Raphael, pois suas deficências o impediam. Terminei a história, despedi-me do Raphael e da mãe. Quando ainda estava perto da cama, guardando o livro na bolsa e preparando-me para sair, o Raphael leva a mão à boca e me manda um beijo.

A mãe chorou. Eu novamente dei um leve sorriso, este de alegria, e lhe retribui o beijo da mesma forma que recebi.

Amigos, amigas voluntárias ou em processo de seleção, desde o primeiro momento em que entrei no quarto do Raphael, tive a certeza de que estava sendo visto e ouvido, em nenhum momento suas deficiências foram uma barreira para a contação, e um dos melhores presentes que já ganhei na VIDA. Aquele beijo, guardo dentro do coração e ficará para sempre em minha memória.

Paulo Cavalheiro, voluntário no Hospital Cruz Azul, que tem muitas histórias lindas para contar

7. Dica da Jacqueline Cardoso: goste do que está contando

O meu caso foi meio atípico, pois contei história no hospital logo no primeiro dia. A perna tremeu, mas a vontade de ver um sorriso naqueles rostinhos parece anestesia, e a gente conta, conta e, quando vê, já foi.

Eu escolhi histórias bem divertidas, engraçadinhas e as clássicas de princesa. Deu certo. Acho que o principal é você gostar da história que está lendo, você domina e conta de verdade. Aí vem o obrigado, às vezes tímido, o sorriso largo ou um pequeno brilho no olhar. O importante é ir desarmado, sem grandes expectativas e com o coração explodindo de vontade de fazer o que gosta. Boa sorte a todos e muito carinho.

Jacqueline Cardoso é voluntária do Icr

8. Dica da Patrícia Raymundo: conte história antes de contar história

Primeiro leia algumas histórias infantis e escolha a que mais gosta. Conte essa história para alguém. Pode ser para o seu sobrinho, filho, marido, namorado, amigo, avó… Lembre-se que histórias são para pessoas de 0 a 100 anos! Conte do “seu jeito”, ou seja, não decore. Essa parte é importante. Ao contar, você deve sentir prazer em partilhar com alguém. Não se preocupe se está “acertando”. Quando o contador de história se encanta, o ouvinte também se encanta. De preferência, escolha uma história curtinha, porque a duração é importante para não cansar… Depois que contar a história, abra o livro e mostre as gravuras ao ouvinte. Isso irá fazer com que o ouvinte e o contador revivam a história, agora de forma visual. Pronto! Agora, coloque este livro na sua sacola do hospital e, quando chegar lá, ofereça a história para os pacientes se divertirem.

Patricia Raymundo, cabeça de chave do hospital Sepaco

9. Dica da Vilma Cezar: nunca decore

Contar história é contar com o coração. É ser criança, é brincar, é sentir, mas nunca decorar. Se você decorar a história tudo perde o sentido.

Vilma Cezar é a Rita Lee do Icr

10. Minha dica: contador novo, livro velho

Durante os primeiros meses de atuação no hospital, andei só com os meus livros preferidos na bolsa. A insegurança da estreia fica pequena perto do nosso envolvimento com a história.

Meu nome é Juliana Monteiro, conto histórias no Hospital das Clínicas, sou publicitária e escrevo este blog entre um job e outro

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Livros que falam sobre o que a gente não quer falar

Há duas semanas, Giba Pedroza, contador de histórias mestre em me deixar emocionada, nos presenteou com indicações de livros que falam por nós. Uma boa conversa sempre resolve, mas quando está muito difícil falar, estes livros podem ajudar.

MORTE

O segredo é não ter medo, Tatiana Belinky

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A menina, a vaca e o avô, Luiz Pimentel

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Feminilidade, relação entre gêneros, meninos versus meninas

Por que meninos têm pés grandes e meninas têm pés pequenos, Sandra Branco

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Crianças gordinhas

A charada do gorducho, Tatiana Belinky

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Liberdade, relação com animais, ausência familiar

O menino e a rolinha, Jorge Fernando dos Santos

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Medo, sofrer por antecipação

Admirável ovo novo, Paulo Venturelli

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Lembrei de mais um! Quando a avó vai embora e a criança fica sem saber o que fazer, Menina Nina (do Ziraldo) pode ser uma boa companhia.

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